Contratuh: Primeiro dia do Viver Mulher tem presença de lideranças baianas e emoção em recital de cordel



Matéria Nova Central


Recebidos pelo som de atabaques e berimbaus, com capoeiristas cantando músicas locais e valorizando a cultura baiana, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade (Contratuh) abriu nesta quarta-feira (20) seu 13º Seminário Nacional Viver Mulher, que discute ações em defesa das mulheres e da igualdade de gênero no ambiente de trabalho, realizado na noite desta quarta-feira (20/03), no hotel Gran Stella Maris, em Salvador (BA).

Cerca de 200 participantes, dentre eles autoridades, dirigentes sindicais e trabalhadores estiveram na abertura, que após a apresentação cultural seguiu de uma apresentação em vídeo sobre o trabalho da confederação em prol da mulher inserida no grupo Turismo e Hospitalidade. O presidente da Contratuh, Wilson Pereira, fez o discurso de boas vindas aos presentes, ressaltando o trabalho árduo da diretoria da entidade para manter o Viver Mulher ativo por mais de uma década. “Sempre pensamos no social, em fazer um trabalho para a população, e há 30 anos sustentamos essa pauta. Mas a partir do momento que o então presidente Moacyr Auersvald teve ideia de fazer este evento e levar a bandeira das mulheres para dentro da confederação, ganhamos mais força. Vamos discutir o feminicídio, a Lei Maria da Penha, a superação da desigualdade de gênero e a atual conjuntura política e sindical nestes dias. Temos que lutar por uma sociedade cada vez mais justa, e o direito da mulher faz parte dessa luta”, declarou.

“Serei breve, mas quero agradecer a presença de todas e todos. Peço um apelo aos diretores e diretoras da Contratuh, não deixemos o Viver Mulher acabar. É um evento importante para valorizar a igualdade de gênero e empoderar nossas mulheres, que precisam de apoio. Obrigado pela presença de cada uma e cada uma aqui”, disse Mariazinha Hellmeister, diretora da Mulher da Contratuh.

Anfitrião do evento, o Tesoureiro Geral da Contratuh e do SindHotéis da Bahia, José Ramos, afirmou que é num momento muito importante que o Viver Mulher ocorre em Salvador. “Somos uma das capitais que mais comete violência contra mulher no Brasil. Mostrar que estamos aqui em defesa dessas mulheres é essencial, pois a figura feminina precisa estar em todos os espaços, e aos poucos está conseguindo. Homem tem que entender que a mulher não é objeto e os órgãos competentes tem que dar amparo para essas mulheres violentadas. Aproveitem nossa terra maravilhosa, a Bahia de todos os santos”, finalizou.

“Sabemos que 60% do nosso segmento são mulheres. Temos responsabilidade social com a categoria. Quero agradecer a cada um de vocês, pois há treze anos começamos essa sementinha e hoje vejo uma sala cheia, o Brasil inteiro aqui reunido, discutindo e trazendo um relatório das ações que a gente criou o Viver Mulher. Wilson, sucesso e que Deus te proteja”, declarou o vice-presidente da Contratuh, Moacyr Auersvald.

A diretora de assuntos previdenciários da Contratuh, Vera Leda Ferreira de Morais, também representou a Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), como presidente da Central Sindical no Distrito Federal e enfatizou o apoio às mulheres da categoria de Turismo e Hospitalidade. “Representando a NCST, gostaria de parabenizar a posse de Wilson Pereira, como também o olhar para as mulheres da categoria. Mariazinha também, por tudo que tem feito em prol da defesa das mulheres não só da Contratuh, mas de todas. Meninas, quero dizer que empoderadas nós somos e estamos, precisamos tomar atitude, de tudo que aprendermos não guardarmos na caixinha, é nosso legado e nossa herança. Lugar de mulher é em local de posição e decisão, mas ver o que uma outra companheira está passando também. E temos uma peculiaridade na nossa categoria, que podemos detectar uma mulher em estado de sofrimento. Sairemos daqui mais ricas que entramos, mas vamos enriquecer as mulheres que estão gritando por socorro”, reforçou a dirigente sindical.

Moro em salvador e fiz questão de estar aqui, porque o Viver Mulher é um evento extremamente importante. Estamos resistindo e continuamos nossa luta. A América Latina está devassada pela violência contra mulher dentro e fora do ambiente de trabalho. Nos hotéis mulheres sofrem muito assédio. Não é momento da gente desistir, não está fácil, mas nossa luta tem que continuar com nossos companheiros e companheiras”, pronunciou Jaqueline Leite, assessora do Comitê Latino Americano de Mulheres (CLAMU) da UITA.

Para a desembargadora Nágila Maria Sales Brito, o número de feminicídio na Bahia só ficou atrás de São Paulo. “Além do feminicídio, a violência contra as negras aumentou. Peço sempre pra usarmos a sororidade, as mulheres tem que sentir empatia umas pelas outras. Homens, utilizem da fraternidade para ajudar nossas mulheres. Me sinto dentro desse Viver Mulher e peço para a Contratuh que fiscalize os locais onde atua, pois a busca pelo turismo sexual também nos atinge. Vamos ensinar a todos e todas a ligar no 180 e denunciar de forma anônima. O Poder Judiciário está com vocês, não se calem”, finalizou.

Menina de oito anos recita cordel e emociona presentes

“Toda mulher tem direito a viver sem violência. É verdade, está na lei. Que tem muita eficiência, pra punir o agressor. E à vítima, dar assistência.”

O trecho faz parte da obra “A Lei Maria da Penha em Cordel”, de autoria do poeta e músico cearense, Tião Simpatia. O atilho de palavras e poesia, que trata de tema forte, circula nas redes sociais, junto com a surpresa recente: a pequena moradora de Itapebussu, distrito de Maranguape (CE), Samya Abreu, de oito anos, que declama as palavras com propriedade de gente grande. Ela foi a convidada especial que fechou o primeiro dia do Viver Mulher.

O vídeo, que já possui 139 mil visualizações, registrou o momento em que a maranguapense recita o cordel, em homenagem ao aniversário da Lei Maria da Penha, que completou 12 anos em 2018 — mais tempo de vida que a própria Samya.

Comovidos, os presentes pediram bis, e a jovem estrela recitou outro poema de Simpatia, chamado “Abraço”, causando a reação de fraternidade entre todos e todas que participam do Viver Mulher.

Fonte: Confederação Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade – Contratuh

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