Doria anuncia fase mais restritiva que a fase vermelha

Lucas Borges Teixeira, Rafael Bragança, Leonardo Martins e Allan Brito
Do UOL e Colaboração para o UOL, em São Paulo

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou hoje que o estado entrará a partir de segunda-feira (15) na fase emergencial do Plano São Paulo, que estabelece medidas mais restritivas do que a atual, vermelha. Igrejas terão as atividades presenciais interrompidas, os campeonatos de futebol ficarão suspensos e as escolas estaduais devem entrar em recesso escolar. A recomendação é que as redes municipais e particular de ensino sigam a medida.
As restrições estão previstas para durarem até o dia 30 para tentar conter o avanço da pandemia de covid-19. O plano é diminuir a circulação de mais de 4 milhões de trabalhadores.
Doria também determinou um “toque de recolher” das 20h às 5h, sem fechamento dos serviços essenciais, mas com possibilidade de aplicação de multa para pessoas a pé e carros que estiverem passeando (leia mais abaixo).
O governo do estado quer estimular o home office para os locais que puderem. Dessa maneira:
Apenas as atividades essenciais seguem autorizadas, mas lojas de material de construção foram retiradas da lista.
Haverá proibição do uso de parques e praias.
Teletrabalho será obrigatório para atividades administrativas não essenciais, como de órgãos públicos e escritórios.
Atendimento presencial fica proibido em bares e restaurantes, e o sistema de drive-thru só poderá funcionar fora do toque de recolher, ou seja, das 5h às 20h. O delivery está liberado..

Há uma razão para começar na segunda-feira. Estamos tomando decisões duras, que afetam milhões de vidas. Donos de restaurante compram alimentos com antecedência. O mesmo em relação a práticas esportivas. E no final de semana temos melhores índices de isolamento, então não compromete. João Doria (PSDB), governador de São Paulo
“Decisão impopular” Em vídeo divulgado horas antes da entrevista coletiva de anúncio das novas medidas, Doria havia antecipado que tomaria uma “decisão impopular”. As novas restrições têm como objetivo desacelerar o avanço da pandemia de covid-19 e evitar mais colapsos no sistema de saúde. Cinquenta e três municípios já registram 100% de ocupação dos leitos de UTI para a doença, segundo o governo
A decisão sobre a fase emergencial foi tomada em reunião com integrantes do Centro de Contingência do Coronavírus hoje pela manhã. A gestão de Doria avaliou que a criação de uma nova fase no Plano São Paulo seria mais didática para a população do que somente anunciar medidas restritivas adicionais à fase vermelha.
O governador também seguia avaliando os impactos políticos que a decisão poderia ter, considerando que já vem enfrentando protestos de setores do comércio contra a adoção da fase vermelha em todo o estado. As igrejas e as escolas eram um ponto sensível, já que foram mantidas em funcionamento mesmo com o fechamento de tudo que não é considerado atividade essencial.
Restrições de horário O governo também anunciou o chamado “toque de recolher” no estado para o período das 20h às 5h. Na prática, não muda muito do que já existe e foi classificado como “toque de restrição”. Os serviços essenciais que se manterão abertos nesta fase emergencial, como supermercados e farmácias, continuarão a funcionar e quem estiver circulando deve apresentar motivo de urgência, como saúde e trabalho, para estarem na rua. Multa só ocorrerá em caso de reincidência, como já acontece no chamado “toque de restrição”.
A mensagem é clara: não devemos circular após esse horário, a não ser que haja necessidade absoluta. Proibição de uso de praias e parques. Mesmo que siga para não haver aglomerações, pessoas usam esse espaço para encontro. Proibição completa de qualquer aglomeração. Paulo Menezes, coordenador do Centro de Contingência.
Transporte público Não foi anunciada nenhuma restrição ao transporte público. Mas o estado traçou um plano de sugestão de entrada de funcionários dos poucos setores que seguem trabalhando, para evitar aglomeração no transporte público, tão comum em horários de pico, mesmo na fase vermelha.
São elas: Funcionários da indústria: 5h – 7h
Funcionários de serviços: 7h – 9h
Funcionários do comércio: 9h – 11h
Os horários são sugestões do governo às empresas, e não imposição obrigatória aos trabalhadores.

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