12 mil bares e restaurantes fecham na capital paulista durante pandemia, diz associação; delivery se consolida

Por Bárbara Muniz Vieira, G1 SP — São Paulo

 


A bartender Rosana Macedo, de 30 anos, que perdeu o emprego duas vezes na pandemia em bares da Zona Oeste de São Paulo — Foto: Karol Moya/Divulgação

A bartender Rosana Macedo, de 30 anos, que perdeu o emprego duas vezes na pandemia em bares da Zona Oeste de São Paulo — Foto: Karol Moya/Divulgação

Cerca de 12 mil bares, restaurantes e lanchonetes fecharam suas portas de vez desde março de 2020 na cidade de São Paulo. A principal causa apontada são as restrições de funcionamento impostas pela pandemia de coronavírus. Os dados são da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-SP).

O delivery, por outro lado, se consolidou na capital e manteve boa parte dos estabelecimentos funcionando mesmo que de portas fechadas. Entre março e dezembro de 2020, o número de novos restaurantes cadastrados no iFood, por exemplo, cresceu 78% no estado.Neste sábado (24), a capital entra na segunda semana da fase transitória do Plano São Paulo e bares e restaurantes poderão reabrir.

Mas de acordo com a Abrasel-SP, 20% dos estabelecimentos da capital não devem retomar as atividades porque os custos de operação não compensam. A associação calcula que o faturamento não deve chegar a 25% do que se arrecadava antes da pandemia.

Representantes do governo de São Paulo estranharam os dados divulgados pela associação, já que a Junta Comercial do estado mostra que, de março de 2020 até abril de 2021, são 9.676 bares e restaurantes fechados em todo o estado, sendo 2.971 na capital (leia mais abaixo).A bartender Rosana Macedo, 30 anos, é uma das profissionais do setor que perdeu o emprego na pandemia.

Ela trabalhava em um bar em Pinheiros, na Zona Oeste da capital, que fechou porque não resistiu à queda brusca de clientes.Rosana só conseguiu uma vaga em outro bar do mesmo bairro e em regime CLT em outubro, três meses depois que bares e restaurantes reabriram com restrições.

“Eu estava superfeliz e otimista porque consegui um trabalho, mesmo na pandemia. Mas a empresa precisou me mandar embora ao final do período de experiência, pois não tinham certeza se conseguiriam permanecer abertos e já tinham fechado o mês no vermelho. Isso totalizou só três meses de trabalho e desde então estou desempregada de novo”, afirma.

Em todo o estado, das 250 mil empresas do setor, 50 mil deixaram de existir durante a pandemia. Do 1,8 milhão de empregados do ramo no estado, 400 mil perderam seus postos de trabalho no mesmo período.

 

 

 

O salão vazio do bar Ó do Borogodó, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo — Foto: Arquivo pessoal/Divulgação

O salão vazio do bar Ó do Borogodó, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo — Foto: Arquivo pessoal/Divulgação

 

indo operar com lucro até”, afirma.

Durante a pandemia, ela tentou fazer empréstimos, mas não conseguiu. A duas semanas do despejo, Stefânia fez um financiamento coletivo para conseguir pagar o aluguel. O sucesso foi tamanho que ela conseguiu até mesmo diminuir a dívida, que chegou a R$ 500 mil.

“O ‘Ó’ é muito querido mesmo. Tivemos ajuda de todos os músicos ligados à casa e também dos clientes. A pandemia foi um trator! Precisamos parar de pagar todos os parcelamentos, aluguel, tudo”, conta.

Segundo Stefânia, o “ideal é que tivéssemos conseguido um empréstimo para manter o bar fechado e fazendo as lives [musicais]”. “Nós só sobrevivemos até agora por conta da suspensão e redução de contrato de trabalho. Somos completamente contra a abertura na pandemia.

Nós não estamos conseguindo sobreviver, a gente até faz umas lives e tentou um delivery de feijoada, mas não foram suficientes”, afirma.

A hamburgueria Generoso, na Sé, teria fechado as portas se não fosse o delivery

Enquanto estabelecimentos fecharam as portas, o delivery conquistou seu espaço

. O iFood observou um crescimento de 122% de pequenos e médios restaurantes cadastrados.De acordo com Mário Rabelo de Lima, 36 anos, foi a plataforma que permitiu que ele mantivesse funcionando sua hamburgueria Generoso, na região central da capital.”

Já atendia por delivery, mas passou a ser 90% do meu faturamento. Me manteve vivo. Se não fosse isso, eu teria fechado em maio do ano passado”, afirma.

ara complementar o faturamento, Mário investiu em produzir e revender os produtos que usava em sua cozinha, como picles, mostarda fermentada e linguiça vegana.Quem se adiantou no delivery também teve bons resultados.

Uma semana antes do decreto que fechou bares e restaurantes na capital ainda em 2020, o empresário Angelo Levitzchi Franchini, 42 anos, fez a transição do atendimento da Canoa Cervejaria para o delivery, que até então só atendia presencialmente na Vila Mariana, Zona Sul da capital.“Foi uma transição bem rápida e, desde essa época, não reabrimos para o público.

Nosso faturamento foi de 100% presencial para 100% delivery e retirada e se manteve assim desde então. Apesar de muitos clientes pedirem para a gente reabrir para o público, nós não cedemos”, afirma Angelo, que preferiu manter o estabelecimento fechado já que o balcão é comunitário e poderia colocar a saúde de clientes e funcionários em risco.

O segredo para se manter aberto e com lucro, segundo o empresário, foi cortar gastos.

“Conseguimos manter todos os funcionários e cortamos vários custos. Durante esse período, porém, quase todos arranjaram outros empregos presenciais [e saíram]. Só mantivemos uma funcionária da época de quando estávamos abertos.

Fomos fazendo ajustes operacionais, entrando em outras plataformas de delivery e mudamos a logística. Nada muito drástico, mas coisas pequenas que ajudam no final do mês.

E, apesar de o nosso faturamento hoje ser 60% [em relação ao] da época em que estávamos abertos, como os custos despencaram, estamos conseguindo operar com lucro até”, afirma..

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