Movimento sindical precisa se reorganizar, afirma procurador durante o 10º Encontro Nacional dos Trabalhadores Hoteleiros

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Inês Ferreira

O 10º Encontro Nacional dos Trabalhadores Hoteleiros, que está sendo realizado pela FETRHOTEL (Federação Interestadual dos Trabalhadores Hoteleiros de São Paulo e Mato Grosso do Sul) começou nesta quinta-feira, no Leques Brasil Hotel, em São Paulo, com uma leitura critica do movimento sindical, feita pelo Procurador Regional do Trabalho da 7ª Região do Ceará, Francisco Gerson Marques de Lima. O procurador foi o primeiro palestrante do evento e defendeu a autorregulamentação e a auto regulação do movimento sindical como forma de evitar que este seja submetido ao poder público.

O encontro teve início por volta das 9 horas com a composição da mesa e a abertura feita por Cícero Lourenço Pereira, presidente da FETRHOTEL.

Participaram da mesa Francisco Calasans Lacerda, vice-presidente da FETRHOTEL e presidente do Sinthoresp (Sindicato dos Trabalhadores Hoteleiros de São Paulo); o procurador do Trabalho Francisco Gerson Marques de Lima, Moacyr Roberto Tesch Auersvald; presidente da Contratuh (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade); Alcir Matos presidente da Contracs (Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio de Serviços); Luiz Onofre de Brito, presidente da Fetrahnordeste (Federação Interestadual dos Trabalhadores no Comércio Hoteleiros, Restaurantes, Bares e Similares dos Estados do Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte); Paulo Roberto presidente da Fethemg (Federação dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade de Mingas Gerais); Orlando Rangel presidente da Fechs (Federação dos Empregados no Comércio Hoteleiro do Rio Grande do Sul),o presidente da Fethego-To (Federação dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade de Goias e Tocantis) Rosevelth Dgoberto da Silva e Joe Simões, representante da SEIU (Service Employees International Union).

Após a saudação dos componentes da mesa, diante de um auditório lotado, o presidente da FETRHOTEL Cícero Lourenço Pereira coordenou a abertura do evento. Cícero agradeceu a participação dos convidados e em seguida fez uma análise do movimento sindical. Ele também falou sobre as interferências que as entidades tem sofrido do poder público, principalmente do Ministério Público e sobre os debates a respeito do custeio das entidades.

Em seguida teve início a palestra do procurador do Trabalho, Francisco Gerson Marques de Lima que falou sobre o “ Estatuto Sindical Nacional”. O procurador iniciou sua fala afirmando que o movimento sindical precisa se organizar e não deixar para o Estado organizar as questões sindicais da forma que ele pensa.

Quando se leva o problema para o Estado o problema se multiplica. As boas práticas sindicais precisam surgir dos próprios sindicatos e não do Estado”, disse ele.

O procurador reforçou sua afirmação lembrando que no próximo mês de março começa vigorar o novo Código do Processo Civil, o qual estimula a arbitragem e as mediações de conflitos, entre outros, o que vai exigir que os sindicatos se imaginem dentro de uma nova organização e uma nova realidade.

Segundo ele é preciso repensar o movimento sindical e criar mecanismos de organização e resolução de conflitos. Como exemplo de organização, ele citou a possibilidade do movimento sindical criar Câmaras composta por sindicalistas mantidas pelas entidades, que resolvam os problemas do movimento sindical e que só leve para o Estado resolver somente os casos mais graves.

O movimento sindical precisa entender que a melhor saída não é o Estado. A concepção de que o Estado tem do conflito e diferente da ótica sindical.Uma Câmara poderia analisar as conveniências políticas para abertura de novas entidades sindicais, por exemplo, de uma maneira diferente do poder público”, exemplificou ele.

Segundo o procurador é preciso conscientizar o movimento sindical para assumir o papel ativo para resolver seus próprios problemas e para que se estabeleça valores morais, éticos que regulamentem as relações sindicais.

Não adianta fechar os olhos.O movimento sindical precisa se auto organizar e se auto gerir. Começar a fazer a limpeza da casa, senão o Estado fará. O que chega ao Estado são notícias ruins sobre os sindicatos. O MP não conhece o movimento sindical e tem uma péssima ideia do movimento sindical.É preciso reverter essa concepção, chegar mais perto das autoridades para mostrar o outro lado”, disse o procurador.

Durante a palestra o procurador se posicionou contra a discussão do custeio sindical neste momento.

Temos o Congresso Nacional mais conservador da história do país, uma crise do Congresso e uma crise política. O momento é arriscado para tratar de assuntos sindicais porque o movimento sindical está dividido, está rachado até mesmo sobre o tema do custeio. Como que o movimento sindical vai para o Congresso (conservador) e tratar sobre temas sindicais?”, questionou.

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