A “inflação da Copa” chega a 583% em hotéis.

Por Raymundo Costa e Paola de Moura | De Brasília e do Rio

As diárias que estão sendo cobradas nas reservas de hotéis para a Copa do Mundo incorporam um aumento de até 583% em relação às verificadas no mês passado. Foi o que concluiu a Embratur após um amplo levantamento nas 12 cidades-sede da Copa de 2014. Segundo a pesquisa, a tarifa média no Rio é de US$ 461, em comparação aos US$ 200 de Johannesburgo, na Copa da África do Sul (2010), e US$ 300 em Berlim, na da Alemanha (2006).

O presidente do Embratur, Flávio Dino, está preocupado com o que os técnicos do órgão estão chamando de “inflação da Copa”. Ele teme que os altos preços dos hotéis possam não só prejudicar as vendas de pacotes para o evento como também fixar a imagem do Brasil como um destino turístico caro. “Isso justamente quando o país deve bater a barreira histórica de 6 milhões de turistas por ano”, disse Dino ao Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor.

Sem mecanismos para combater essa inflação, o presidente da Embratur enviou um ofício à Secretária Nacional do Consumidor, órgão do Ministério da Justiça que tem poderes para acionar os Procons. No documento, Dino diz que “é provável que a operadora Match (parceira da Fifa) esteja praticando comissões de intermediação muito acima do que costuma ser praticado no mercado turístico”, em detrimento dos consumidores.

Dino observa que a FIFA, em conjunto com a Match, impõe exigências de quantidade mínima de duas diárias para o turista que deseja se acomodar em algum dos hotéis negociados pela operadora. Para o jogo de abertura (São Paulo), a exigência aumenta para um mínimo de três noites, e para a final (Rio), quatro noites.

Roberto Rotter, presidente do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil, entidade que representa as 27 maiores administradoras de hotéis do país, afirma que a Embratur usa metodologia equivocada ao fazer a pesquisa na internet. Ele diz que os quartos estão bloqueados pela Match e por patrocinadores e o que sobra na internet são poucas unidades com custos altos. Segundo Rotter, as tarifas não subiram 500%. “Elas não estão nem 300% mais caras”, diz. Ele lembra também que já houve um acordo entre Embratur, Match e os hotéis de que a tabela estabelecida há cinco anos com a empresa parceira da Fifa não precisa mais ser cumprida.