Copa ajuda a vender de TV a Franquia de Fast Food

Copa ajuda a vender de TV a franquia de fast food

Por Paulo Vasconcellos | Para o Valor, do Rio

Um dos pivôs das manifestações de rua por todo o país, os gastos com a Copa do Mundo de 2014 estão longe de fechar. A previsão inicial é de que chegariam a R$ 23 bilhões, mas só os investimentos na construção dos estádios ultrapassaram em 20% o orçamento de R$ 5,9 bilhões. Outros R$ 12,5 bilhões estavam previstos para as 49 obras de mobilidade urbana nas doze cidades-sede do mundial. Levantamentos atualizados do Ministério do Esporte indicam que os investimentos estão em torno de R$ 26 bilhões, dentro do teto estimado em R$ 33 bilhões, até 2014. O resultado já desconta o que seria gasto com projetos que não saíram do papel, como o Monotrilho de Manaus, orçado em R$ 1,5 bilhão.

A maior expectativa agora é sobre a conta de retorno. Um estudo da Ernst & Young em parceria com a Fundação Getúlio Vargas apontava que a economia brasileira teria uma movimentação de mais de R$ 110 bilhões: R$ 47 bilhões em impostos diretos e mais R$ 16 bilhões em outros tributos, R$ 5 bilhões com o aumento de consumo, cerca de R$ 4 bilhões que seriam gastos pelos 600 mil turistas estrangeiros esperados no país e mais R$ 5,5 bilhões deixados por 3 milhões de turistas locais, somados aos investimentos em obras de infraestrutura relacionadas direta ou indiretamente à competição. No total, o país movimentaria R$ 142,39 bilhões adicionais no período 2010-2014, gerando 3,63 milhões de empregos/ano e R$ 63,48 bilhões de renda para a população. Para cada real aplicado pelo setor público havia expectativa de retorno de R$ 3,4 investidos pela iniciativa privada.

A Copa do Mundo atiça as expectativas de diversos setores da economia. A Sony, patrocinadora oficial da FIFA, tem um plano de investimento até 2014 de R$ 500 milhões, que contempla a modernização da fábrica da Zona Franca de Manaus, operações de infraestrutura e logística e ações de marketing para aproximar a marca ainda mais do consumidor. “A penetração no mercado dos aparelhos de televisão de tela plana e LED é de apenas 18%. Esperamos um incremento nas vendas de 50% até a Copa”, diz Luciano Bottura, gerente de comunicação e marketing da Sony no Brasil.

“Estamos vibrando”, afirma Beto Filho, presidente da Associação Brasileira de Franchising. O segmento, que cresceu 16,2% no ano passado e superou a marca de R$ 3 bilhões de faturamento anual, espera repetir o desempenho este ano e também em 2014. No Rio de Janeiro o indicador deve ser dois pontos percentuais maior já por conta da Olimpíada. “Nossa expectativa é crescer de 10% a 12%, mas, sobretudo, marcar espaço, porque cada vez mais novos players entram no segmento de alimentação rápida”, diz Rogério Gama, diretor de expansão da rede de franquias Megamatte, que está modificando o layout da marca e capacitando os funcionários a falar inglês.

Há quem preveja uma explosão na abertura de pequenos e micronegócios em turismo, lazer e prestação de serviços. A estimativa é que o comércio eletrônico, na plataforma web, que deve atingir R$ 28 bilhões com 40 milhões de consumidores on-line até o fim do ano, dê um salto ainda maior e bata nos R$ 45 bilhões. “A gente vai ter um grande público em trânsito. Quem prestar serviços de lanche móvel ou apostar em aplicativos de cardápio eletrônico terá ótimas oportunidades”, afirma Marcelo Castro, diretor da Ecom 2013, o maior projeto de inclusão digital comercial do país.

O crescimento se espalha do comércio de rua ao setor hoteleiro. A rede Accord está construindo 100 hotéis. O grupo Bristol Hotéis, do Paraná, investe R$ 20 milhões na construção do Bristol Escala, perto do Estádio do Mineirão, que deverá ser inaugurado em 2014 para aumentar a oferta de quartos para a Copa. Já a rede gaúcha GJP planeja o investimento de R$ 1 bilhão até 2016 com a construção de um hotel em Salvador (BA), outro em Foz do Iguaçu (PR), um resort em Aracaju (SE), um hotel na Praia de Ipioca, em Maceió, e dois no Rio – um no Aeroporto Internacional Tom Jobim/Galeão e outro no Santos Dumont. “A Copa e o crescimento do país justificam os investimentos”, diz Guilherme de Jesus Paulus, dono do GJP.

Só o Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES) reservou mais de R$ 11 bilhões a projetos ligados à Copa do Mundo e aos Jogos Olímpicos, contemplando ampliação da rede hoteleira, construção ou modernização de estádios, adequação de sistemas de distribuição e transmissão de energia, programas de coleta seletiva e inclusão social dos catadores de materiais recicláveis em cidades-sedes, entre outros.