Fundador da Fogo de Chão investe em pizza.

Arri Coser (sentado) associou-se a Miranda, da BR Opportunities (de barba) e a Juscelino Pereira, da Maremonti

Arri Coser, um dos irmãos criadores da rede de churrascarias Fogo de Chão, irá diversificar seu cardápio. O empresário fechou uma sociedade com a gestora de privateequity BR Opportunities e os sócios da pizzaria paulista Maremonti. Por meio de uma holding, a MDPZ Participações, eles querem criar uma rede brasileira de pizzarias com alcance nacional.

“Enxergo espaço para consolidação nesse segmento no país. A ideia é começar por São Paulo com aquisições para depois expandir para outros Estados”, afirma Coser. “Churrascaria e pizzaria não são tão diferentes do ponto de vista de administração. As técnicas de gestão, controle e de como se faz a expansão são muito parecidas. Um restaurante é sempre varejo agregando serviço”, resume o empresário.

Ao lado do irmão, Jair, Arri criou a Fogo de Chão em 1979 e expandiu a rede pelo Brasil e Estados Unidos. Em 2006 venderam 35% do negócio para a GP Investimentos. Em 2011, os dois deixaram totalmente o negócio. De acordo com informações da época, cada um deles embolsou US$ 100 milhões – ele não comenta esses valores.

Esses últimos anos não foram exatamente sabáticos para Coser. Ano passado, ele voltou aos negócios com a NB Steak, um rodízio de carnes nobres, comandado por ele e pela irmã. Esse rede está em expansão, com Coser à frente das operações.

Foi também durante essa espécie de quarentena pós-Fogo de Chão que a MDPZ começou a ser desenhada. Coser participa de uma confraria de “restaurateurs” que viaja para degustações em vinícolas. Foi durante essas jornadas que as conversas com um dos donos da Maremonti, Juscelino Pereira, se estreitaram.

O passo seguinte foi fechar com a BR Opportunities – dessa vez, na partida, o negócio já começa sob tutela de um investidor estratégico e financeiro.

“Minha experiência com a GP foi muito bem-sucedida. Fizemos um belo negócio e atingimos os nossos objetivos. Nessa época, eu era um operador. Agora, nesse novo negócio serei investidor. Eu passei para o outro lado do balcão”, afirma Coser.

O empresário terá um assento no conselho da MDPZ, mas não estará no comando das operação, posto que será dividido pelos sócios Juscelino Pereira e Ricardo Trevisani. Ambos se conheceram quando trabalharam no Fasano. Trevisani montou a primeira Maremonti, 13 anos atrás, na Riviera de São Lourenço, litoral norte paulista. Quando, em 2011, ela chegou ao bairro dos Jardins, em São Paulo, Pereira, que é o fundador de outro restaurante, o Piselli, aderiu ao negócio.

De lá para cá, a Maremonti já inaugurou mais duas unidades e outras três devem abrir em breve. Ambos planejavam uma expansão ainda maior que, esbarrava, entretanto, em outros quatro sócios que não estavam interessados em participar dessa história.

“Conhecendo o perfil de empreendedorismo do Arri, meu amigo de longa data, comecei a falar sobre o negócio com ele na confraria. Ele embarcou na ideia e costuramos um acordo – os quatro sócios antigos saíram e deram entrada para ele e a BR”, conta Pereira. “Estamos muito seguros porque temos bons parceiros do lado”, diz Pereira.

Carlos Miranda, sócio da BR Opportunities, foi convidado para a parceria por Coser. Ele diz que a MDPZ casa com o perfil de investimento buscado pelo fundo. “Para nós, é uma oportunidade de investir no setor de consumo, de alto crescimento e com empreendedores excepcionais”, afirma Miranda, que trabalhou em auditorias e estará no conselho da MDPZ. “Nós vamos agregar nosso conhecimento de gestão, governança e redes de relacionamento”, diz Miranda. A BR Opportunities já tem outro investimento no setor de consumo – a Flores Online, fechado no ano passado, em parceria com a americana 1-800 Flowers.

Os sócios da MDPZ não revelam detalhes sobre o investimento inicial de recursos na rede, qual a fatia de cada um deles na holding ou projeções para o faturamento. Miranda conta apenas que a meta é daqui a um ano dobrar de tamanho e a partir de então crescer 40% ao ano.

A expansão, conta Miranda, se dará via crescimento orgânico e aquisições – em princípio pensando mais em pontos comerciais do que em novas marcas, que não estão descartadas.

“Também estaremos atentos a quaisquer oportunidades no exterior”, diz Miranda.

O veículo inicial será a marca Maremonti e seu conceito de “pizza &cucina”. Além desse prato, a rede possui outras opções no cardápio, como carnes, saladas, massas e uma boa carta de vinhos. As unidades investem na qualidade do serviço e na decoração dos ambientes. Em função desse menu, pode funcionar com boa ocupação também para o almoço. “Esse foi o conceito que me agradou “, diz Coser.

A Maremonti tem uma marca posicionada no segmento premium atenta à qualidade, o que, segundo reforça Pereira, sempre será a marca dos negócios da holding quando e se ela optar por lançar novas marcas.

A pizzaria servida na casa segue o padrão de Nápoles – a Maremonti faz parte da associação do pizzaiolos da cidade italiana e teve suas pizzas atestadas como “verdadeiramente napolitanas”. Individuais, são vendidas entre R$ 40 e R$ 80.

Pereira conta que a Maremonti também deverá continuar com a estratégia de expansão através de parcerias com o Shopping Iguatemi – ela já está nas unidades de Campinas e Ribeirão Preto. “O interior do Estado de São Paulo tem um público forte para nós, de clientes que frequentam a casa no litoral”, afirma.

Eles acreditam que o prato tem boa aceitação no Brasil inteiro, apesar de ser de São Paulo a marca mais do que expressiva, de consumo de 1 milhão de pizzas por dia. A ideia é crescer também dentro de São Paulo, moldando-se ao perfil de cada bairro e, já a partir do ano que vem, começar com um sistema de delivery.

Coser conta que a ideia do projeto é de longo prazo.

“Nosso pensamento é o de fazer com que esse negócio esteja robusto depois de 2020. Isso só é possível quando se faz um acordo de longo prazo. O projeto de unir esse grupo e conseguir trabalhar com custos menores para promover a expansão, tem esse essa visão de futuro”, diz Coser.

O empresário diz apostar no crescimento das refeições feitas pela população fora de casa, apesar de não haver pesquisas específicas sobre o assunto. “Acredito muito no Brasil dos próximos 30 anos. Quem começar primeiro, estará mais bem posicionado nesse setor”, diz.