Mercado de fast-food deve faturar R$ 75 bilhões até 2018, diz estudo.

Por Letícia Casado | De São Paulo

O faturamento do setor de fast- food deve crescer 11% em 2013, para R$ 51 bilhões, segundo a consultoria britânica Mintel. Para 2018, a projeção é que as vendas cresçam 47% e alcancem R$ 75 bilhões. Se o consumo surpreender, o faturamento pode chegar a R$ 83 bilhões; mas se as condições macroeconômicas projetadas não se concretizarem, as vendas devem chegar a, pelo menos, R$ 68 bilhões (33% a mais).

O avanço vai ser puxado pelo aumento nos preços e pela abertura de lojas – de novas marcas e das já existentes, segundo um estudo feito pela consultoria. Jean Manuel Gonçalves da Silva, analista sênior do setor alimentício da Mintel, diz que a inflação nos custos com matérias-primas como açúcar, trigo e milho, em serviços, como aluguel, e com mão de obra, inflaram os preços nos setor nos últimos anos. Mesmo assim, houve alta no volume consumido.

Se concretizado o faturamento do setor previsto para 2013, de R$ 51 bilhões, a alta acumulada desde 2008 deve ser de 80%.

A maior parte da alta no faturamento decorreu do aumento da renda e do maior consumo das famílias, diz ele. Outro impulso, acrescenta, foi a expansão de redes como McDonald’s, Subway e Burger King para cidades e regiões do país onde não tinham lojas no começo da década passada – como o interior de alguns Estados.

“A gente pode estimar que a categoria está sendo consumida quando cresce a oferta. O número de pontos de venda no Brasil aumentou e deve aumentar, e isso se deve à alta no consumo. Se não fosse assim, as grandes redes não teriam plano de expansão”, diz Silva.

Entre 2008 e 2013, o número de restaurantes de “comida rápida” deve crescer 12% e passar de 362 mil estabelecimentos há cinco anos para 405 mil este ano – na conta entram padarias do tipo “lanchonete”, e não aquelas que fazem apenas pão.

Mas as grandes redes, juntas, não passam de 4% desse total. Em 2011, o McDonald’s liderou em número de lojas no país, com 1,3 mil unidades, segundo a Mintel.

Segundo Silva, os grandes concorrentes das grandes redes nos próximos anos serão os estabelecimentos independentes, como as lanchonetes. Para ele, as grandes redes se verão cada vez mais obrigadas a se “inspirar” na culinária brasileira para incluir novas receitas nos menus e isso também pode ajudar a alavancar as vendas do setor.

De acordo com a Mintel, um terço dos consumidores de fast-food come nesse tipo de restaurante no fim de semana (34%), nível de consumo quase similar ao da hora do almoço (33%). O jantar é a ocasião de consumo menos procurada (12%) – neste caso, a frequência pode ser incrementada com a oferta de alimentos leves e porções individuais, e horário de funcionamento mais amplo, diz o estudo.