Representante de hotéis questiona metodologia.

Por Paola de Moura | Do Rio

Presidente do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb), Roberto Rotter afirma que o levantamento da Embratur sobre os tarifas de quartos para a Copa do Mundo de 2014 utiliza metodologia equivocada ao fazer pesquisa através da internet. Rotter alega que a maior parte dos quartos está bloqueada pela Match, empresa parceira da Fifa responsável por vender os pacotes, e por patrocinadores. O que sobra na internet, segundo ele, são poucas unidades com custos altos.

“É como se eu ou você entrássemos num site como o Booking ou o Decolar e procurássemos um quarto para final. Claro que estará caro”, afirma Rotter. “O que está disponível para o público em geral nesses sites tem preços altos”.

Segundo ele, as tarifas cobradas pelos hotéis para o evento não subiram 500%. “Elas não estão nem 300% mais caras, como apontou a pesquisa anterior”, afirma Rotter. O executivo acrescenta também que já houve um acordo entre a Embratur, a Match e os hotéis, segundo o qual a tabela estabelecida há cinco anos com a empresa parceira da Fifa não precisa mais ser cumprida.

“Quando os pacotes são fechados, fazemos projeções de inflação, de crescimento econômico e estabelecemos as tarifas. Mas ninguém tem a certeza de que a economia vai se comportar daquele modo. Por isso, os preços já foram revistos”, diz Rotter.

Segundo o executivo da Fohb, a Copa é um evento para um público específico, de alta temporada, em algumas cidades onde, naquela época, não seria alta temporada normalmente. “Quem é fanático vai pagar o quanto for para vir. Os hotéis vão se ajustar à demanda. Cidades como Rio e São Paulo, que terão uma permanência maior, serão mais caras. Aquelas que só têm atrativos durante os jogos, podem cobrar menos para tentar manter o hóspede”, diz.

Para Érica Drumond, presidente do grupo Vert Hotéis (que opera a marca Ramada no Brasil), “não há motivo para, a um ano da Copa, estabelecer preços baixos. O mercado vai se regular. Se não houver demanda, os preços vão cair. Se houver, manteremos os atuais. Ninguém quer chegar na Copa com os quartos vazios”, afirma. Procurada, a Match informou que o executivo responsável estava em viagem de trabalho e não poderia responder às perguntas.