SP investe R$ 166 milhões na F-1.

SP investe R$ 166 milhões na F-1

Por Daniel Akstein | Para o Valor, de São Paulo

http://www.valor.com.br/sites/default/files/gn/13/07/foto25esp-301-formula-g2.jpgVelocidade máxima no Grande Prêmio de F-1 em Interlagos no ano passado

O ronco dos motores faz São Paulo acelerar. Não que a cidade ande normalmente em ritmo lento, mas o “circo” da Fórmula 1 injeta ainda mais velocidade nos cifrões e na vida paulistana. É um megaevento que lota hotéis e enche restaurantes e casas noturnas, movimentando milhões de reais.

Em 2012, quase 70 mil pessoas ocuparam Interlagos no domingo para ver Sebastian Vettel se tornar o tricampeão mais jovem da F-1. Agora, os organizadores da prova esperam que ocorra novamente o mesmo de 2012, 2009, 2008, 2007, 2006 e 2005: que o mundial de pilotos seja decidido no Brasil, o que seria um atrativo a mais para reunir os fãs do esporte e toda a mídia e o dinheiro que a corrida traz junto. Neste ano, ela está marcada para 24 de novembro.

Hoje, é praticamente improvável imaginar a F-1 sem Interlagos. A prova paulista está no calendário da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) desde 1972, mas a entidade que rege o esporte chegou a cogitar a mudança. Bernie Ecclestone, homem forte da F-1, exigiu melhorias no autódromo para a cidade não perder a prova a partir de 2014. E o prefeito Fernando Haddad (PT) anunciou duas licitações para a reforma, no valor de R$ 160,8 milhões.

O investimento é alto, mas se justifica com outros números. No ano passado, a corrida movimentou R$ 230 milhões na cidade, contando gastos de turistas e investimentos de empresas particulares, segundo levantamento da SPTuris. E a cifra tende a aumentar.

Bruno Omori, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de São Paulo (ABIH-SP), vai direto ao ponto quando comenta o lucro que a prova traz para São Paulo. “A F-1 é historicamente o melhor evento da cidade”, diz.

Os gastos começam com o ingresso, que custa entre R$ 262,50 a R$ 2.720. Na área VIP, chega a R$ 11.200. Mas, de acordo com Omori, a maioria fecha um pacote completo, contendo o bilhete, estadia e também o traslado.

Considerado o hotel oficial da F-1 em São Paulo, o Transamérica também tem um acordo parecido. “As negociações para o ano seguinte sempre acontecem após o término do GP. Algumas escuderias fecham contratos para até três temporadas consecutivas”, diz Charles Giudice, gerente-geral.

Alguns dos vários pacotes que já estão em mãos das operadoras e agências de turismo mostram o alto valor cobrado. No Íbis Morumbi, por exemplo, o quarto duplo com ingresso para o setor G para os três dias (dois treinos e a corrida) custa R$ 1.990 por pessoa. E esse é um dos pacotes mais simples.

Sem contar o ingresso, o custo com hotel é mesmo o que mais pesa para o turista no fim de semana da prova, de acordo com os dados do Observatório do Turismo de São Paulo. Segundo a pesquisa feita em 2012, 49,4% dos R$ 2.446 que a pessoa teve em média de gasto foram com a hospedagem, seguido por lazer (16,5%), compras (15,7%) e alimentação (13,6%).

A taxa de ocupação dos hotéis em São Paulo nos dias de corrida fica em torno de 90%, segundo Omori. “Como temos 37.800 apartamentos ocupados, com uma média de R$ 270 a diária, arrecadamos cerca de R$ 22 milhões no total”, calcula.

A quantidade de turistas em São Paulo (ainda de acordo com o Observatório do Turismo, no ano passado 11,4% do público era de estrangeiros e 54,8% veio de outras cidades do Brasil) faz a cidade ganhar um outro ritmo. Bares, restaurantes e churrascarias ganham um público a mais, mas não tanto quanto gostaria a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de São Paulo (Abrasel-SP), que afirma que o movimento maior fica centralizado na região dos Jardins.

“Seria um erro estratégico, um enorme prejuízo para São Paulo se a cidade ficasse fora do calendário da Fórmula 1 “, diz Bruno Omori. Isso talvez explique a rapidez com que o prefeito Fernando Haddad reagiu às ameaças de Ecclestone: outras cidades já estavam de olho, só esperando Interlagos falhar.