UITA denuncia os riscos ocupacionais da função de camareira

3Pandemia Oculta. Essa foi à definição sobre os problemas que afetam camareiras de todo o mundo, apresentada por que Noberto Latorre presidente do Comitê Mundial do Departamento Profissional de Trabalhadores de Hotéis, Restaurantes, Refeições coletivas e Turismo (HRCT), da UITA (União Internacional de Trabalhadores da Alimentação). A declaração foi feita numa reunião do comitê, realizada dia 11, no auditório do Sinthoresp (Sindicato dos Trabalhadores Hoteleiros de São Paulo). O evento encerra nesta sexta-feira (12).
Segundo o sindicalista as camareiras sequer são percebidas em seus postos de trabalho, motivo que levou os representantes dessas trabalhadoras a denunciar os problemas causados, principalmente, pelo excesso de trabalho.
“Eu desconhecia certos problemas que afetam as camareiras. Este evento serve para que todos conheçam essa realidade. A UITA está lançando uma campanha internacional contra essa pandemia oculta “, disse Latorre.
A comparação dos problemas de saúde que a função acarreta a uma pandemia se tornou pertinente quando representantes de outros países deram sua contribuição sobre o tema. Porém, o ponto alto dos debates foi atingido com a participação da argentina Patricia Mantovano responsável por uma pesquisa que apontou os riscos de doenças acarretados pela função.
“Essas trabalhadores sequer são percebidas, inclusive pelos clientes que ignoram o cansaço desse trabalho”, disse ela.
Depois de apresentar dados sobre o assunto, a sindicalista apresentou a estratégia da UITA para defender os direitos dessas trabalhadoras.
Segundo ela, o primeiro passo foi a conscientização sobre o problema feita por meio de ações no período de 3 a 10 de dezembro, que incluiu manifestações e panfletagem em mais de 30 países.
Também foram feitas denúncias com base em pesquisas que mostraram o excesso de peso, os esforços repetitivos que acarretam problemas posturais, o estresse causado pela função, o grande número de quartos que estas mulheres são obrigadas a arrumar num curto espaço de tempo, os riscos pelo manuseio de produtos químicos e assédio sexual.
As ações a favor dos direitos das camareiras e pelo fim dos abusos culminou o estimulo a campanhas que deverão ser realizadas mundialmente no decorrer de 2015.
Segundo o presidente da FETRHOTEL(Federação Interestadual dos Trabalhadores Hoteleiros de São Paulo e Mato Grosso do Sul, Cícero Lourenço Pereira, em São Paulo a campanha será encabeçada pela federação.
Para Ron Oswald, secretário-geral da UITA, a campanha em favor dos direitos das camareiras, é uma “campanha sem fim”. Ele explicou que o debate sobre o assunto teve início em 2006 quando a UITA realizou uma pequena pesquisa sobre a evolução das camas. Foi quando notaram o esforço que essas mulheres tinham que fazer para arrumar as camas modernas.
“Camareiras precisam de sindicatos fortes. Para ter sindicato forte elas precisam se sindicalizar e fazer parte dessa luta. Estamos falando do corpo e da vida das pessoas “, disse ele.
Outros debates
O desrespeito aos trabalhadores e aos Acordos Internacionais violados pela Rede Accor voltou a ser debatida pelos integrantes do comitê. Entre as questões abordadas constou a nova maneira que a Accor tem gerenciado seus negócios, funcionando como uma “marca”, quanto os espaços físicos dos hotéis são comercializados individualmente por empreendedoras. Também foram apontadas violações de direitos de trabalhadores praticados pela ClubMed, Caralson Rezidor, Meliá e Starwood- responsável pela rede Sheraton.
Quem também voltou a ficar em evidência foi à rede McDonald’s. Representantes dos trabalhadores dos Estados Unidos apresentaram um vídeo com os manifestos realizados em 150 cidades norte-americanas contra os baixos salários e a favor da abertura de sindicatos.

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