Investimento projetado é de R$ 12,2 bilhões.

Por João José Oliveira | De São Paulo

O mercado brasileiro da hotelaria acelerou o passo dos investimentos desde o fim de 2011, projetando um crescimento mais intenso da oferta nos próximo três anos, aponta o Anuário Investimentos no Brasil: Hotéis & Resorts, feito pela BSH TravelResearch. O levantamento realizado nos 26 estados da federação e mais o Distrito Federal lista 422 empreendimentos hoteleiros com abertura entre o início de 2013 e o fim de 2016. O total a ser investido soma R$ 12,2 bilhões

“O mercado comporta esse aumento de oferta porque há falta de quartos e muitos mercados, embora algumas praças terão um excesso de oferta que vai se transformar em queda de taxa de ocupação e de tarifa média nos próximos anos”, disse o sócio presidente da BSH, José Ernesto Marino Neto.

No Anuário Investimentos no Brasil 2011 havia a previsão de R$ 7,9 bilhões em investimentos. Para o quadriênio 2013-2016, os investimentos se concentram no ano que vem, com R$ 4,8 bilhões em 164 empreendimentos.

Os investimentos concretizados no intervalo de 2013-2016 apresentaram como média por apartamento o valor de 154,9 mil, ou 16,4% abaixo dos R$ 185,4 mil, em cotação atualizada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurados na pesquisa anterior, para o período 2011-2013. “Os hotéis de categorias econômico e ‘midscale’ são os que estão em maior número no presente relatório e o valor de investimento necessário para estes é inferior ao necessário em hotéis de categoria superior, ‘upscale’ e resorts”, diz Marino.

É o que acontece na região Sudeste, onde predominam hotéis de categoria ‘midscale’, seguidos pelos econômicos, supereconômicos. “Ao contrário do que ocorria no passado, quando as atenções dos investidores estavam voltadas para o segmento de resorts no Nordeste do país, atualmente predominam as previsões hotéis de categoria econômica”, diz o presidente da BSH. “A crise de 2008, a retração dos investidores europeus e a valorização imobiliária no Brasil tornou o investidor mais seletivo e com predomínio de aplicadores locais”, afirma Marino.

A maior parte dos investimentos previstos está concentrada na região Sudeste, com quase 60% das estimativas, seguida pelas regiões Nordeste (13%), Sul (11%), Centro-Oeste (10%) e Norte (7%).

Marino afirma que a região Sudeste tem a maior demanda reprimida a ser atendida pelo setor hoteleiro porque contém São Paulo, praça que tem mais de 12 mil quartos a menos do que o mercado comportaria. Mas ele ressalta que essa mesma região reúne mercados que vão registrar as mais elevadas taxas de quarto por cliente do país.

Marino cita como praças em que projeta um cenário de superoferta Itaboraí, no interior do Rio de Janeiro, Ribeirão Preto, Belo Horizonte, Barra da Tijuca, no Rio, Santos e Salvador. “Para esses mercados eu nem avalio o projeto”, disse o executivo.

Muito dessa superoferta, diz o executivo, tem relação com duas corridas: a dos grandes eventos – Copa do Mundo, organizada pela Fifa em 12 estados do país ano que vem, e os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro – e a do pré-sal, disparada pelos investimentos da Petrobras.

O executivo da BSH aponta que haverá queda das taxas de ocupação e de tarifa média nessas regiões em que ele projeta super oferta. “Teremos cenários típicos de crise, com taxas de ocupação na casa de 30% e tarifas abaixo do valor necessário para bancar os investimentos”, disse.

Segundo o Forum de Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb), as 26 redes associadas à entidade estão ampliando no quadriênio 2012-2015 a oferta em 24,3%, mas a demanda projetada para esse período vai crescer 15,7%.

Dados da Embratur divulgados em agosto apontam que as diárias que estão sendo cobradas nas reservas de hotéis para a Copa do Mundo (entre 12 de junho e 13 de julho) incorporam aumentos que atingem 583% em relação às verificadas em julho deste ano – a tarifa média no Rio chega a US$ 461, ante US$ 200 de Joanesburgo, na Copa da África do Sul (2010), e US$ 300 em Berlim, na da Alemanha (2006).

O Ministério do Turismo projeta a vinda ao país de 7,3 milhões de estrangeiros em 2014, sendo 600 mil especialmente para a Copa. “A Copa tende a se concentrar em algumas cidades maiores”, diz o presidente do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb), Roberto Rotter.